Matéria Época | Mansão Foster para amigos imaginarios.

Um orfanato diferente

Craig McCracken, pai de As Meninas Superpoderosas, lança no Brasil sua nova criação, o divertido A Mansão Foster para Amigos Imaginários.

Ele é pai de um dos maiores sucessos infantis dos últimos anos: As Meninas Superpoderosas. O desenho animado, que estreou em 1998 e virou febre até entre adultos, fez a fama de seu criador – um americano de 33 anos que confessa colecionar bonecos de pelúcia de seus personagens preferidos. Agora Craig McCracken toma novo rumo. Deixa para trás o que ele mesmo classifica como as ”lutas e a violência” das Superpoderosas e parte para o estilo ”mais família” de A Mansão Foster para Amigos Imaginários, que acaba de estrear no canal de TV paga Cartoon Network. O programa é criativo e promete seduzir pequenos telespectadores.

O cenário da animação é uma espécie de abrigo para os amigos imaginários inventados pelas crianças. Quando a garotada cresce e ”abandona” as criaturas inventadas, a Mansão Foster as acolhe. Vivem nessa casa os tipos mais esquisitos (leia o quadro abaixo). Há um imenso coelho de smoking com ares de mordomo inglês, uma criatura vermelha e esguia com um olho torto e apenas um braço e outras figuras estranhas – mas quase sempre muito simpáticas. Os protagonistas são o menino Mac e seu amigo imaginário Blu (personagem que lembra os finados Barbapapas). O travesso Blu é despachado para a mansão quando a mãe de Mac se cansa das molecagens que o garoto apronta quando está ”acompanhado” do amigo.

Um dos encantos de Mansão Foster, interessante também para adultos ligados em artes gráficas, é o visual. Os personagens, de formato simples e cores vivas, são sobrepostos a um fundo monocromático, em estilo antigo, com ar vitoriano. O efeito final é diferente de outras animações em cartaz na TV. ”O cenário é ornamentado, tem babados, penduricalhos delicados”, diz McCracken. ”É uma oposição interessante ao design chapado dos amigos imaginários. Sou fã de cartoons gráficos.”

McCracken, formado no California Institute of Arts, conta que uma de suas primeiras lembranças de criança é a descoberta de um desenho do Mickey Mouse que o deixou fascinado. ”Desde uns 12 anos de idade eu já sabia que seria desenhista”, recorda. Antes de criar as Superpoderosas, trabalhou como diretor de arte em O Laboratório de Dexter.

Apesar de assumir um jeitão ainda meio infantil, que o mantém ligado em todo tipo de brinquedo, McCracken tem opiniões ponderadas sobre a indústria da animação infantil. Admite que as crianças têm oferta abundante de animações e videogames violentos e diz que o licenciamento de produtos muitas vezes é feito com pouco critério e muita ganância. Também mostra parcimônia quando o assunto é o uso de computadores. ”Um filme pode ter os efeitos mais modernos, mas, se não for bom, não decola”, afirma. ”Apesar de toda a tecnologia, O Expresso Polar fez menos sucesso que o longa-metragem Bob Esponja, todo em 2-D.” Há, é claro, imagens computadorizadas em Mansão Foster. Mas boa parte do trabalho é feita à moda antiga. ”Gosto do ‘elemento humano’, de deixar algumas imperfeições para mostrar que ainda fazemos desenhos à mão”, explica. E, para animação, Craig McCracken tem mãos afiadas.

QUEM É QUEM NO NOVO DESENHO

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